quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O PANO DO JOVEM YOGUI

Um jovem yogui, vivia nas margens dum rio sagrado. Ali passava a maior parte do seu tempo, praticando yoga e meditando. A sua vida era simples e livre de preocupações. Era feliz. Por não ter outras responsabilidades, o yogui passava longos momentos de olhos fechados comtemplando a bela forma transcendental do senhor que se encontra no nosso coração. Esta era a sua rotina e meditação diária.
Ao meio dia, como sempre, o yogui lavava a sua única peça de roupa, o farrapo que usava para cobrir as suas partes íntimas. Na Ìndia faz sempre muito calor daí que pouco mais fosse necessário.
Por isso, enquanto o yogui lavava e secava o farrapo, ficava nu e aguardava pacientemente.
Um dia enquanto esperava que secasse o pano pensou:
" Se tivesse outro, não gastaria tanto do meu precioso tempo enquanto espere que seque, podendo vestir o outro logo depois do banho".
Nesse preciso momento passava por perto um sadhu, um homem santo. Um sadhu com poder para ler os pensamentos e que por isso parou e se dirigiu ao jovem yogui:
"Querido filho, sei o que tens em mente. Queres ganhar tempo. Mas escuta-me quando te digo que antes de colecionar mais posses é melhor conformar-se com aquilo que temos, è melhor assim. " e seguiu caminho dando as suas bênçãos ao jovem.
O jovem refletiu profundamente naquilo que havia escutado da parte do homem santo, mas ao final de algum tempo pensou que apenas mais um farrapo não traria qualquer problema e que isso não seria desejar em demasia. Assim, foi ao mercado e comprou mais um pano.
No dia seguinte tomou banho no rio como de costume, lavou a roupa e estendeu-a a secar sobre uma rocha. Depois vestiu a roupa nova e foi meditar.
Mais tarde, o yogui voltou para recolher a sua roupa seca. Ao pegar no pano notou que ele estava cheio de buracos feitos por um rato esfomeado. Ao ver aquilo ficou desgostoso mas pensou: " Já sei, compro um gato para afugentar os ratos enquanto a roupa seca." E assim foi ao mercado comprar o gato.
No dia seguinte, o yogui meditou de forma calma e feliz durante todo o dia até ao cair da noite, altura em que o gato começou a miar incomodando o jovem. " Oh, o gato quer leite...", suspirou o jovem yogui, tomando uma resolução.
No dia seguinte voltou do mercado com uma vaca leiteira. Tudo decorreu normal e tranquilamente até ao cair daquela noite, altura erm que a vaca começou a mugir sem parar. " Não vou ordenhar a vaca todos os dias!" Refletiu já impaciente e arreliado.
Então foi à povoação e ali pediu uma jovem para ser sua esposa. Ela poderia ordenhar a vaca e alimentar o gato que manteria os ratos afastados da única peça de roupa. E assim o yogui foi feliz uns tempos até que a esposa disse: " Estou cansada de que passes os dias a meditar e me deixes sozinha. Quero uma casa." Casa esta que o yogui teve de construior com as suas próprias mãos e esforço, gastando o seu precioso tempo.
Mas pouco tempo depois a esposa começou a sentir-se cada vez mais sozinha e a desejar uma criança...
Com o passar do tempo, o jovem yogui foi meditando cada vez menos e preocupando-se cada vez mais. Estava constantemente ocupado a cuidar da casa, da família que crescia e dos animais. Algumas vezes, quando tinha um pouco de paz, aproveitava para  recordar os tempos em que não tinha nenhuma preocupação e a sua única posse era um trapo - nessa altura era plenamente feliz, tranquilo e concentrado nas suas práticas espirituais.
Então um dia, enquanto estava a recordar aqueles maravilhosos tempos de paz, apareceu novamente o velho homem santo que sorriu e disse: " Vejo que estás pensativo... Por isso, digo-te novamente que é melhor contentar-se com o que se tem. Porque quando se trata de desejar coisas, não há fim à vista."

FIM

Há cerca de dois meses, estando na cidade da Horta, fui abordada à entrada dum centro comercial por um senhor que transportava uma rima de livros de bolso, perguntando-me se não queria contribuir para o programa ALIMENTOS PARA A VIDA, que providencia alimentação aos sem abrigo em Lisboa e no Porto. Dei-lhe as moedas que trazia e em troca facultou-me a escolha dum livro. Havia-os abordando vários temas, mas como sempre sedenta de histórias escolhi um intitulado Lendas do Oriente II, escrito por Ananta Shakti Das e públicado pela Mandir media publishing, escrito na India e traduzido para português por Margarida Palma.
Um pequeno tesouro por tão pouco dinheiro. Entre as historinhas maravilhosas que li de imediato mal cheguei a casa, escolhi algumas que transcrevi  para este espaço, entre ela a história do jovem yogui, que espero gostem.
Deixo aqui os meus agradecimentos ao meu jovem colaborador, o meu neto Tiago de 10 anos de idade, que me ditou o texto.

Virgínia Santana

2 comentários:

  1. Olá Dona Gina.
    Muito obrigada por partilhar histórias como esta. São grandes lições.

    Bjinhos,
    Claudia

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    1. Olá Claudis, ainda bem que gostou e certamente vai gostar das outras historinhas do tal livrinho de bolso que vou postar aqui. Obrigada e bjs.

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