OUTONO DA VIDA
Florestas de sonhos esquecidos,
raizes retorcidas d'incertezas,
saidas da terra, suplicantes.
tudo morre e dos anos já vividos,
o ardor, a alegria e a beleza,
vão caindo aos poucos, exitantes.
Flores da juventude, olhai p'ra elas,
mortas já juncam o solo outonal
e míseras não mais poderão reviver.
Ficarão perdidas, murchas, velhas
e a não ser do inverno o temporal,
ninguem mais as virá recolher.
Tudo chega ao fim e a beleza
que tudo iluminou, assim s'esvai,
em laivos de amargura e de tristeza.
Daqueles anos felizes, que vileza,
só resta esta memória que não cai
e sempre me persegue com firmeza.
Virgínia Santana
9/04/84
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