Em tempos, vivia algures um macaco que tinha muita vergonha do seu rabo por ser tão comprido e feio, uma coisa desajeitada, que na sua opinião não tinha préstimo para nada. Para ele realmente não tinha, pois o rabo dos macacos serve para eles se pendurarem nas árvores das florestas, onde vivem habitualmente, mas este vivia numa aldeia, para onde um caçador o trouxera em pequenino
Um certo dia não esteve com meias medidas. Foi ao barbeiro e pediu-lhe que lhe cortasse o rabo. O homem, a quem nunca aparecera um cliente com tal pedido, exitou, mas ante a insistência do macaco, zumba, pegou na sua melhor navalha e cortou-lhe o rabo num ápice, que ele nem sentiu.
Muito contente por se ver livre daquela apêndice inútil e encomodativo, o macaco lá se foi aos pulos.
Passado um bocado e perante a chacota dos que por ele passavam, resolver voltar à barbearia a pedir o rabo.
-Eu quero o meu rabo de volta... - Pediu.
- O teu rabo? Se andou sempre, já vai longe, na carroça do lixo.
- Eu quero o meu rabo, eu quero o meu rabo eu quero o meu rabo!- Insistiu o macaco.
- Já te disse que não tenho o teu rabo! Irra!
- Ai não me dás o meu rabo? Então roubo-te uma navalha. - E se assim o disse melhor o fez.
Lá fugiu aos saltos com a navalha na mão, perseguido pelos berros furiosos do barbeiro, até que encontrou um homem que estava a escamar peixe com as unhas.
- Então bom homem, a escamar peixe com as unhas?
- Pois, que remédio! Não tenho dinheiro p'ra comprar uma navalha.
- Lá por isso, aqui tem uma navalha! - E o macaco ofereceu a navalha ao homem que se desdobrou em agradecimentos.
Mais um bocado de caminho andado logo se arrependeu de ter dado a navalho e voltou atrás a pedi-la.
- Quero a minha navalha.
-Nem pensar, quem dá e tira nasce-lhe uma giba. - Respondeu o homem, negando-se terminantemente a devolver a navalha.
- Ai, não me devolves a navalha! Então... - Deu um salto e roubou-lhe três sardinhas.
Muito satisfeito lá partiu estrada fora até que encontrou um moleiro sentado á porta do moinho a comer pão seco.
- Pobre homem! - Lamentou o macaco conduido. - A comer pão seco?
- Que hei-de fazer se não tenho dinheiro para conduto... -Lamentou-se o moleiro.
- Pois então aqui tem três sardinhas. Asse-as na brasa e que lhe façam bom proveito.- E deu as sardinhas ao moleiro que lhe agradeceu muito reconhecido.
Andados que foi mais um pedaço de caminho arrependeu-se de ter dado as sardinha e voltou atrás a pedi-las.
- Quero as minhas sardinhas!
- Olha que engraçado que ele é! As sardinhas já as comi.
- Há! Não me devolves as sardinhas? Então olha! - De um salto pegou num saco de farinha, pô-lo ás costas e pernas para que te quero.
Andou, andou e já cansado que o saco de farinha pesava muito, passou à porta de uma escola e sentou-se no muro a descansar, quando ouviu a diretora a queixar-se de que não tinha farinha para fazer pão para as crianças. Muito solícito, logo se prontificou a dar a farinha.
- É muito bondoso, meu senhor.- Sem o rabo a directora confundi-o com um homem, mas mal ele virou costas comentou:
-Tão bondoso, mas feio como um macaco.
Mais uns quilómetros andados arrependeu-se como de costume de ter dado a farinha e voltou atrás.
- Sra. Directora, agradecia que me devolvesse a farinha. - pediu delicadamente.
- Isso é impossível, senhor... Já fiz o pão e os alunos já o comeram. - Respondeu a diretora um pouco abespinhada.
- Então, vou levar uma menina em troca... - E tomando uma menina pela mão abalou com ela perante os gritos da directora e do restante pessoal da escola.
Sem largar a criança que chorava, passou junto a um rio onde uma mulher lavava roupa.
- Pobre mulher! - Exclamou penalizado.- Não tem quem a ajude?
- Não, não!
- Então vou deixar-lhe esta menina aqui para a ajudar.
Claro que a mulher achando tudo aquilo muito esquisito, logo aceitou a menina e claro que passado um bom bocado o macaco voltou atrás a pedir-lha.
- Quero a menina de volta!
- Saia mas é daqui seu malandrão! A menina já voltou para o colégio donde a roubou...
- Há sim... Então como recompensa lévo-lhe uma camisa.- E antes que ela pudesse impedí-lo roubou-lhe a melhor camisa que ela tinha para lavar.
Mais à frente encontrou um pobre homem a tiritar de frio, tendo apenas por agasalho uma camiseta sem mangas e aos farrapos, sentado à beira do caminho a tocar viola.
- Pobre homem! Aqui tem esta camisa. Vista-a e sempre se sentirá melhor.
O homem vestiu a camisa cobrindo-o de bênçãos., mas passado um bocado o macaco, como de uso e costume voltou a trás a pedir-lha.
- Não lhe devolvo a camisa, não lhe devolvo a camisa...
- Pois, não há problema... - conformou-se o macaco que num ápice roubou a viola ao homem.
Subiu para frondosa árvore e pôs-se a cantar:
Eu de rabo fiz navalha,
de navalha fiz sardinha,
de sardinha fiz farinha,
de farinha fiz menina,
de menina fiz camisa,
de camisa fiz viola,
frum, frum,frum,
que vou p'ra Angola.
Mais uma história de que muitos da minha idade se recordarão e até será do conhecimento dos mais novos e das crianças, pois já vi reeditada, embora, julgo que mais resumida do que a versão original.
Aqui a deixo para quem a queira recordar ou ler pela primeira vez, um pouco escrita á minha maneira pois já não me lembro na integra da história que tantas vezes me contaram em criança e que eu adorava.
Virgínia Santana
Mais uma história de que muitos da minha idade se recordarão e até será do conhecimento dos mais novos e das crianças, pois já vi reeditada, embora, julgo que mais resumida do que a versão original.
Aqui a deixo para quem a queira recordar ou ler pela primeira vez, um pouco escrita á minha maneira pois já não me lembro na integra da história que tantas vezes me contaram em criança e que eu adorava.
Virgínia Santana
A história é ainda melhor contada ao vivo por ti! Assim foi para mim e agora para a tua neta Beatriz!
ResponderEliminar