segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A MINHA POESIA


DESPEDIDA


Adeus, terra bem amada,
berço dos meus verdes anos.
Adeus, Angola queimada
pelas balas dos morteiros.,
pobre terra escravizada
pela ambição dos humanos.

Adeus, ilha das palmeiras
ondulantes ao luar.
Adeus loucas batucadas,
p'las noites a vibrar,
que ressoam nas senzalas
e se perdem lá no mar.

Adeus, lindas quintandeiras.
c'o seu alegre pregão.
Laranjas, maçãs, goiabas,
abacaxi e mamão.,
batata doce e bananas.
Ai, tão doces que elas são!

Adeus negrinhas, mulatas,
de olhos cor d'alcatrão,
pretinhas como as amoras,
douradas da cor do pão,
tão belas e tão faceiras
em seus vestidos de verão.

Adeus, minha terra linda,
que não sei se irei voltar,
sinto a alma entristecida
por ter de te abandonar,
mas com ternura infinita
te irei sempre recordar.

Virgínia Santana

23/06/75






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