domingo, 16 de setembro de 2012

LENDAS E CONTOS DO ALGARVE


A LENDA DAS AMENDOEIRAS EM FLOR


Há muitos, muitos anos, quando os mouros  ocupavam as terras dos Algarves, influenciando as suas gentes com os seus hábitos desde a arquitetura à gastronomia, um príncipe mouro deslocou-se em viagem às terras frias da Dinamarca, conhecendo ali uma linda princesa por quem se apaixonou.
Ela era alva como as neves que cobriam as montanhas da sua terra, os olhos tão azuis como os mares do norte que banhavam o seu pais e os cabelos tão louros que pareciam fios de oiro.
O príncipe mouro, cego pela paixão, não pensou nem por um instante nas diferenças existentes entre estas duas terras tão distantes. Uma dominada pelas neves perpétuas e frios cortantes, a outra subjugada pelo sol escaldante a maior parte do ano e por temperaturas elevadas e uma vez que viu o seu amor correspondido, não exitou em desposá-la e trazê-la para Portugal.
A princesa em princípio parecia sentir-se feliz nesta terra de belas praias de areia branca, que se estendiam a perder de vista, banhadas pelas águas azuis do atlântico, aquecidas a maior pate do ano pelos doirados raios do sol, mas a pouco e pouco a saudade foi tomando conta do seu coração.
Indagada pelo marido, que não suportava ver a sua princesa triste, confessou-lhe ter saudades do branco da neve que cobria os campos da sua terra natal.
O príncipe deu voltas e mais voltas á cabêça, tentando descobrir a maneira de colmatar esta brecha na felicidade da princesa, mas por mais que pensasse não lhe vinha nenhuma ideia.
Certo dia, passeando pelos campos numa tarde amena de primavera, com a sua amada, passaram perto de algumas amendoeiras, que exibiam as suas belas flores brancas.
A princesa soltou uma exclamação de alegria:
- Parece neve! Parece neve! - E uma alegre risada se soltou dos seus formosos lábios.
O principe encantado com esta explosão de alegria que não via hà muito, teve uma ideia luminosa. Mandou plantar enormes áreas com amendoeiras, que florescendo tranformaram a paisagem com o seu manto de flores brancas que se assemelhavam a neve.
A princesa podia assim matar saudades da sua terra natal, readquirindo a sua alegria e boa disposição.


Esta lenda é conhecida de muita gente e penso que de todos os algarvios. Há poucos dias foi-me recordada pelo meu amiguinho Zé Pedro, que apesar dos seus 12 anos, gosta muito de histórias, historinhas e historietas, tal como eu. Como a acho muito bonita deixo-a aqui contada à minha maneira.


Virgínia Santana



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